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  • Iara

babel

Não falo sobre inícios,

Sequer me recordo como entrei ou fui trazida.

Rodo pelos corredores cheios de portas e gentes...

Por entre paredes e corpos que entoam a marcha,

Alguém me diz para que eu o note.

Ele passa por mim...

E se perde sem rumo num amontoado de faces flertantes,

Que se lambem com suas línguas dissonantes,

Negociando ofertas em halls repletos de mercadorias.

Música ao longe junto ao zumbido que desconforta

Das conversas paralelas e gritos conflitantes.

Ele passa por mim...

Não escuto sua voz, outro alguém já me chama.

Subo em escadas sem saber onde me levam,

Sem saber o que procuro.

Estendem-se mãos de falso querer,

Que recolhem seus tapetes

Quando pergunto pela passagem secreta...

Olhos vigilantes me fitam de soslaio,

Outros são apenas desdém.

E ele esbarra em mim...

Ao subir no beiral daquela imensa janela,

Despido de suas roupas, ele olha para mim.

Tudo se cala, tudo se paralisa ao redor...

Falou-me em vontade de explodir de viver,

Do desconforto com o simples,

Das coisas que lhe exigem vida...

E a cada frase sua me via mais próxima e nua.

Dizendo te beijo me convida a saltar da torre,

E eu o sigo dizendo se me beija, eu te beijo.

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