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  • Iara

dos laços efêmeros

Quando esbarrei nele ao acaso, meu olhar pairou em sua mente

Respirei cada palavra sua, aguardei em pausas, ouvi seus acentos

Embriaguei-me do seu tom entorpecente, desatenta e displicente

Sua razão, qual teia a embaraçar meu pensamento

Anulou meus pulsos por um momento.

E o adorei imensamente

E o projetei em breve futuro

Joguei-lhe ofertas em pleno escuro

Meu aplauso, minhas expectativas.

Quando a vida, amiga ou não, chegou-me seca e real

Socou-me no peito, feriu meu rosto, e num flagrante exposto

Lembrou-me das carências afetivas, que dissimuladas e furtivas

Escreviam páginas repetidas.

Em meu espelho me vi nua

E do sonho rasguei os fios

Feito órfã da presença sua

Coberta com meus vazios

Vi-me louca com sentimentos dúbios.

As falas revelaram fragilidade

Como a fumaça que chega e passa

Como a neblina que existe sem existir

Que não se sabe de onde veio, nem se sabe para onde foi.

Mas então seria loucura? Qualquer um questionaria

Que espécie de ser eu seria? Ele?

Ora amante, por fim distante...quem diria?

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