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davi e o oceano

  • 29 de mar.
  • 1 min de leitura

Rios fluem sem considerar conflitos e mortes.

Montanhas descascam suas rochas, desconhecem sulcos que surgem nos espelhos.

Árvores trocam roupagem a cada estação; telas insistem nas adequações para o próximo verão.

Carros cruzam asfaltos por percursos onde caminharam dinossauros.

As ossadas contam histórias mediante pagamento de entradas em quadrados climatizados.

Estrelas e luas orbitam em tempo ininterrupto; os relógios clamam por cordas e baterias.

O mato brota entre os tijolos da casa demolida; uma carta se desintegra, esquecida no chão.

A onda revela o caranguejo que se escondia no castelo de areia desfeito.

O corpo se lava, mas o destino insiste em virar poeira.

A natureza existe sem se importar em ser interessante.

Terapias remediam porque se interessam por desimportâncias.


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