iara pimenta

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DO TEMPO EM MIM

16/01/2020

 

Hoje faz dois anos que joguei ao vento a certeza do porvir de dias melhores. Vieram todos os tipos de vivências, dias e noites, e certamente houve os dias mais felizes da minha vida, que se amontoaram em outros e outros também tristes. E nesse amontoado de pedaços de tempo vividos fiz mais perguntas do que obtive respostas. E das dúvidas que ainda persistem, guardo a ignorância do papel do tempo em minha vida. Como falar sobre o tempo? Nada sei sobre ele. Na intimidade de nosso dueto, apenas sinto seu inexorável incômodo. Coadjuvante, insiste em roubar meu protagonismo.

 

                                    Respiro, respiro, respiro

                                    E meu ar se queima...

 

SETE MORTES E MAIS UMA

 

JAZ I

Observador, relatara sobre o amor que nunca sentira.

Ao encontra-lo, viu-se incapaz.

 

JAZ II

A vida, mulher carente, não deixara que aprendesse tudo, estando sempre em seu querer.

Foi quando julgou que sabia demais.

 

JAZ III

Uma vida de amor já não lhe aprazia.

Calou-se.       

A morte pedira silêncio.

 

JAZ IV

Seu passado de guerras perdidas pisoteara seus jardins.

Restou-lhe o asfalto da estrada.

 

JAZ V

Secretamente desejara pelo colo que lhe afirmasse que o vazio faria algum tipo de sentido.

Não havia ninguém ao lado.

 

JAZ VI

Confuso pela saudade, perdeu-se entre a falta e o medo.

 

JAZ VII

O mar empenhara-se em levar seu bilhete ao alcance dos pescadores.

No silêncio, jogou-se. 

Não percebera que a correnteza levava à ilha dos cegos.

 

JAZ VIII

Ofereceu-lhe a tesoura.

Hora de cortar as cordas.

Preferiu cortar os pulsos.

 
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