Buscar
  • Iara

espumantes e delírios

Face a face no espelho

Traço marcado do delineador

Risca a máscara de cílio falso

Ri o lábio que esconde a dor


No caminho a música prepara

Para o espumante de tom rosa

Saltam bolhas em finas taças

Mãos e pernas deliram em prosa


Em momentos de rasa alegria

Vão confiantes leves passos

Cruzam noites com gatos pardos

Que miam e gritam seus falsos laços


E no sono que a luz convoca

Como tais bolhas os sonhos caminham

Fluem ligeiros em meio ao líquido

Sobem às margens e então se dissipam


Sobre o chão outrora sólido

Depara-se a face com olhar desfeito

O dia rude já lhe cedo relembra

O quão raso era do rio o leito


Ah...esse rio espumante

Que o rosa a turvo transforma

Que de vívido não lhe restam bolhas

Porque o delírio a mim sempre retorna?

17 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

(conto) Certa vez sentiu o peito chegar às costas, tamanha força que a companheira fazia para lhe prensar contra a parede. Suas discussões se tornavam cada vez mais nocivas, mais sentidas. Ela o desiq

(conto nspirado em um ser humano real) Acordou naquele dia com a sensação de que algo seria diferente, sentiu um desconforto chato. Naquela altura de sua vida, as mudanças, ainda que pequenas, exigiam

(conto) Naquele final de tarde chuvoso, chegou em casa com o desconforto de um choro seco apertando o peito. Sempre fora sensível aos dias molhados e melancólicos do agosto em Pueblo. Deixou as compra